
O livro denuncia, por meio de um minucioso trabalho de pesquisa, o alto grau de irresponsabilidade e despreparo da polícia de São Paulo, revelando e explicando em detalhes como e por que boa parte das vítimas que ela contabilizou em mais de 20 anos é formada por pessoas inocentes, na maioria das vezes assassinadas por motivo fútil e, não raro, culpadas pela própria morte nos Boletins de Ocorrência. A pesquisa comprova também um quadro que se mostra tão atual quanto na época em que o livro foi escrito: as vítimas, em geral, são pessoas pobres, negras ou pardas e com nenhum envolvimento com o crime.Uma das raras exceções dessa triste estatística é mostrada nas primeiras páginas do livro, citando um caso de grande repercussão na época, quando três jovens da elite de São Paulo - entre eles o namorado da atriz Iara Jamra - , foram mortos na madrugada de 23 de abril de 1975 por policiais da temida Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar). Cada unidade da Rota tinha sua numeração e, neste caso, o número usado na viatura ocupada pelos assassinos dos três rapazes era o 66. Daí o nome do livro.Seis anos após o crime, o Conselho de Justiça Militar - formado por um juiz civil, dois tenentes e dois majores da PM de São Paulo - considerou os assassinos inocentes. Tal fato, assim como outros citados no livro, serve para mostrar que a polícia brasileira, e boa parte de seus integrantes, está longe de ser considerada exemplar. Por trás de cada mérito concedido a um policial por sua "brilhante atuação" pode estar a morte de um inocente.Apesar das falhas na construção do texto (algo a se estranhar quando se trata de um repórter como Caco Barcellos) e de não haver uma conclusão ao final da leitura, o livro tem seu valor, não só por revelar as atrocidades cometidas por quem deveria zelar pela nossa segurança (com o apoio do alto comando e também da própria Justiça), como também por tratar de um problema que até hoje continua atual: a impunidade.
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